agosto 23, 2026

Turma de oficina para jovens reúne estudantes e transforma aprendizado em podcasts ao vivo

A primeira turma de 2026 da Oficina de Transmissão ao Vivo, realizada entre 17 e 21 de agosto no estúdio da V Vídeo, em Natal, marcou uma mudança na estratégia de formação do projeto. Pela primeira vez, a atividade foi direcionada exclusivamente a jovens de 16 a 29 anos e teve sua mobilização iniciada antes da abertura das inscrições, com visitas presenciais a escolas públicas, instituições sociais e à Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Rubia Sousa, produtora executiva da Oficina de Transmissão ao Vivo.

A aproximação com as instituições de ensino buscou apresentar diretamente aos estudantes as possibilidades profissionais existentes nas transmissões ao vivo e no audiovisual. Durante as visitas, a equipe conversou com diretores, coordenadores, professores de Artes e alunos, além de reservar parte das vagas para estudantes da rede pública.

Entre as instituições visitadas estiveram o Atheneu Norte-Riograndense, o Instituto Padre Miguelinho, outras escolas estaduais de Natal, a ADIC, no Passo da Pátria, além de turmas da área de audiovisual da UFRN.

O circuito também permitiu identificar que muitos estudantes já produzem conteúdos dentro das próprias escolas, mesmo com estruturas reduzidas.

Reunião com a coordenadora Julie, da Escola Estadual Winston Churchill, em Natal, ao lado, o professor de Artes.

Em uma das instituições visitadas, os alunos mantêm uma rádio on-line e produzem vídeos para atividades e feiras científicas. No Atheneu, a equipe conheceu um projeto que prevê, ainda em 2026, a produção de documentários gravados pelos próprios estudantes sobre mulheres que fazem parte da história do Rio Grande do Norte.

A descoberta iniciou uma articulação para que profissionais do audiovisual possam retornar à escola e compartilhar orientações sobre captação de imagem, fotografia, iluminação, enquadramentos e linguagem documental.

A aproximação dialoga diretamente com o conteúdo da oficina, que dedica parte da carga horária à operação de câmera e aos fundamentos de fotografia.

UFRN teve adesão imediata de estudantes

A divulgação também chegou aos alunos do curso de audiovisual da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

A apresentação ocorreu justamente no primeiro dia letivo de estudantes que ingressavam no segundo semestre de 2026. A resposta foi imediata: somente após o contato com a turma, uma parcela significativa das vagas disponíveis para a oficina foi preenchida.

O perfil final dos participantes mostrou diferentes níveis de experiência.

A turma reuniu desde estudantes do ensino médio que já haviam tido contato com câmeras profissionais ainda muito jovens até participantes interessados em fotografia esportiva, estudantes ligados a rádio, música, publicidade e produção de podcasts.

Também participaram jovens que já desenvolviam atividades culturais com familiares, organizações e pontos de cultura e enxergavam na transmissão ao vivo uma possibilidade de ampliar projetos que já realizavam.

A diversidade de experiências passou a fazer parte das próprias aulas. Desde o primeiro encontro, os participantes foram incentivados a apresentar conhecimentos anteriores e compartilhar experiências relacionadas a fotografia, música, áudio, comunicação e produção cultural.

Mobilização ganhou espaço também na imprensa

Além do circuito educacional, a edição teve divulgação em veículos de comunicação do Rio Grande do Norte.

A oficina foi apresentada pela Tribuna do Norte, incluindo divulgação na edição impressa de domingo, e também teve espaço na TV Metropolitana, onde a iniciativa foi apresentada durante uma participação de mais de 20 minutos transmitida simultaneamente pela televisão aberta e pela internet.

 

Entrevista para a TV Metropolitano, em Natal/RN.

A presença nos veículos complementou o trabalho de mobilização feito diretamente nas instituições, ampliando o alcance das inscrições entre jovens interessados em audiovisual e comunicação.

Cultura popular abriu o primeiro dia de formação

A edição de agosto também incorporou atividades culturais à programação técnica.

Apresentação cultural de Duda da Boneca, no primeiro dia da oficina.

No primeiro encontro, o artista popular Duda da Boneca participou da abertura, apresentou parte de sua trajetória e recitou um poema aos estudantes. A atividade integrou uma proposta de aproximar a formação tecnológica de outras expressões culturais produzidas no estado.

O fotógrafo Vlademir Alexandre participou do registro de making of e fotografia still da turma e também compartilhou parte de sua experiência profissional com os estudantes, ampliando a discussão sobre fotografia dentro do próprio conteúdo da formação.

Auxílio-transporte ajudou a ampliar a permanência

Outro diferencial da primeira turma de 2026 foi a oferta de auxílio financeiro para transporte aos participantes que necessitavam do benefício.

Oficineiro Rafa Costa, ao lado, a intérprete de libras, Dani Santos.

A medida foi possível por meio de parceria com o mandato do deputado federal Fernando Mineiro e teve como objetivo reduzir uma das barreiras enfrentadas principalmente por jovens estudantes da rede pública e moradores de bairros populares que precisavam se deslocar diariamente até o local da oficina.

A experiência apresentou resultado também na frequência. Ao longo dos cinco dias, a organização registrou presença contínua de aproximadamente 70% a 80% dos inscritos, com parte significativa dos participantes acompanhando praticamente toda a formação.

Experimentação dos equipamentos por parte dos alunos/as.

A partir dos primeiros dias, os estudantes já começaram a montar estruturas reais de produção. Passagem de cabos, configuração de internet, câmera, fotografia, áudio, iluminação, enquadramento e operação de sistemas de transmissão passaram da explicação teórica para a experimentação direta.

Três podcasts foram produzidos em uma única tarde

O principal resultado prático aconteceu no último dia.

Aluno na operação de câmera, durante o podcast.

Diferentemente de edições anteriores, em que a atividade final conseguia realizar no máximo dois programas, a turma de agosto de 2026 foi dividida em três grupos e produziu três podcasts completos em uma única tarde.

Os estudantes ficaram responsáveis não somente pela operação técnica.

Aluna na função de técnica de transmissão ao vivo, durante o podcast. Outro aluno fazia as fotos de making of.

Cada grupo precisou definir o tema, escolher quem apresentaria o programa, buscar os convidados, organizar a pauta e estruturar a entrevista. Ao mesmo tempo, os demais integrantes se distribuíram entre câmera, áudio, direção de corte, produção e acompanhamento da transmissão.

A atividade transformou a avaliação final em uma experiência próxima de uma produção profissional, desde a concepção do conteúdo até a execução.

Os três temas escolhidos também refletiram diretamente o perfil jovem da turma.

Skate abriu a programação

O primeiro podcast abordou o skate como esporte, lazer e manifestação da cultura juvenil.

Set do primeiro podcast com alunos operando as câmeras.

O grupo buscou um convidado ligado à cena local e estruturou a conversa a partir da presença do skate na vida dos jovens, de sua relação com os espaços urbanos e das formas de convivência criadas em torno da modalidade.

A escolha permitiu que os próprios participantes relacionassem o aprendizado técnico da oficina a um assunto próximo de seu universo cotidiano.

Mais do que testar câmera e microfone, eles precisaram pensar no que perguntar, como conduzir a conversa e de que maneira organizar um programa capaz de apresentar aquele tema ao público.

Arte e cultura tiveram podcast inteiramente feminino

O segundo programa teve como tema arte e cultura e apresentou uma característica própria: todo o núcleo diante das câmeras foi formado por mulheres.

Uma jovem jornalista assumiu a apresentação e recebeu duas integrantes do Coletivo Massacre, também jovens e com atuação em diferentes frentes da produção artística e cultural.

A conversa reuniu, portanto, três mulheres discutindo suas experiências na cultura, incluindo atuação, produção e participação em iniciativas independentes.

A composição do programa também evidenciou a diversidade de trajetórias existente dentro da própria turma, permitindo que uma estudante com formação ou interesse em jornalismo ocupasse a posição de entrevistadora enquanto outros participantes assumiam as funções técnicas.

Moda urbana fechou a sequência

O terceiro podcast levou para o estúdio um tema menos habitual em atividades do tipo: moda urbana e produção independente.

Bastidores do último podcast produzido pelos alunos.

Dois jovens convidados apresentaram uma marca alternativa construída prioritariamente no ambiente digital e relacionada à cultura jovem, à identidade local e a diferentes redes de sociabilidade.

A conversa também abordou como marcas independentes podem funcionar como pontos de encontro entre moda, cultura urbana, produção criativa e públicos jovens, incluindo grupos LGBTQIA+ que encontram nesses espaços formas de expressão e pertencimento.

A escolha reforçou uma característica que apareceu ao longo dos três programas: os assuntos não foram definidos previamente pela coordenação da oficina.

Eles partiram dos próprios alunos.

Resultado foi além da operação técnica

A produção dos três podcasts permitiu avaliar competências que não se limitavam ao conhecimento dos equipamentos.

Os estudantes precisaram trabalhar coletivamente, administrar horários, solucionar problemas, organizar convidados, definir funções e manter comunicação durante cada gravação.

Também tiveram que compreender que uma transmissão ao vivo depende de conteúdo.

Não basta operar uma câmera ou realizar cortes entre diferentes enquadramentos. É necessário saber o que será apresentado, para quem o conteúdo está sendo produzido e como aquela conversa será organizada.

Os três programas mostraram ainda como uma oficina técnica pode se relacionar diretamente com as referências culturais de seus participantes.

Skate, arte e cultura e moda urbana formaram uma programação definida pelos próprios jovens, que passaram do lugar de alunos para o de produtores de conteúdo.

A experiência fez com que a primeira turma exclusiva para jovens alcançasse um dos resultados mais amplos entre as edições já realizadas da Oficina de Transmissão ao Vivo: em cinco dias de formação, os participantes não apenas experimentaram equipamentos profissionais, mas encerraram o percurso com três conteúdos autorais concebidos, produzidos e executados por eles próprios.

Projeto cultural com realização de: Secretaria de Estado da Cultura do RN, Sistema Nacional de Cultura, Política Nacional Aldir Blanc de Apoio à Cultura e Ministério da Cultura.

Confira os podcasts produzidos como atividade avaliativa da turma de formação

4 dos equipamentos desta oficina foram conquistados no projeto aprovado da lei Aldir Blanc, edital de Insumos, como incentivo através do Ministério da Cultura, Governo Federal, Secretaria de Cultura do RN, como parte da política Nacional Aldir Blanc.

Vamos tirar o seu projeto do papel?

Fale com a nossa equipe e receba um orçamento personalizado.

Solicitar orçamento
← Voltar ao blog