A primeira turma de 2026 da Oficina de Transmissão ao Vivo, realizada entre 17 e 21 de agosto no estúdio da V Vídeo, em Natal, marcou uma mudança na estratégia de formação do projeto. Pela primeira vez, a atividade foi direcionada exclusivamente a jovens de 16 a 29 anos e teve sua mobilização iniciada antes da abertura das inscrições, com visitas presenciais a escolas públicas, instituições sociais e à Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

A aproximação com as instituições de ensino buscou apresentar diretamente aos estudantes as possibilidades profissionais existentes nas transmissões ao vivo e no audiovisual. Durante as visitas, a equipe conversou com diretores, coordenadores, professores de Artes e alunos, além de reservar parte das vagas para estudantes da rede pública.
Entre as instituições visitadas estiveram o Atheneu Norte-Riograndense, o Instituto Padre Miguelinho, outras escolas estaduais de Natal, a ADIC, no Passo da Pátria, além de turmas da área de audiovisual da UFRN.
O circuito também permitiu identificar que muitos estudantes já produzem conteúdos dentro das próprias escolas, mesmo com estruturas reduzidas.

Em uma das instituições visitadas, os alunos mantêm uma rádio on-line e produzem vídeos para atividades e feiras científicas. No Atheneu, a equipe conheceu um projeto que prevê, ainda em 2026, a produção de documentários gravados pelos próprios estudantes sobre mulheres que fazem parte da história do Rio Grande do Norte.
A descoberta iniciou uma articulação para que profissionais do audiovisual possam retornar à escola e compartilhar orientações sobre captação de imagem, fotografia, iluminação, enquadramentos e linguagem documental.
A aproximação dialoga diretamente com o conteúdo da oficina, que dedica parte da carga horária à operação de câmera e aos fundamentos de fotografia.
UFRN teve adesão imediata de estudantes
A divulgação também chegou aos alunos do curso de audiovisual da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
A apresentação ocorreu justamente no primeiro dia letivo de estudantes que ingressavam no segundo semestre de 2026. A resposta foi imediata: somente após o contato com a turma, uma parcela significativa das vagas disponíveis para a oficina foi preenchida.
O perfil final dos participantes mostrou diferentes níveis de experiência.
A turma reuniu desde estudantes do ensino médio que já haviam tido contato com câmeras profissionais ainda muito jovens até participantes interessados em fotografia esportiva, estudantes ligados a rádio, música, publicidade e produção de podcasts.
Também participaram jovens que já desenvolviam atividades culturais com familiares, organizações e pontos de cultura e enxergavam na transmissão ao vivo uma possibilidade de ampliar projetos que já realizavam.

A diversidade de experiências passou a fazer parte das próprias aulas. Desde o primeiro encontro, os participantes foram incentivados a apresentar conhecimentos anteriores e compartilhar experiências relacionadas a fotografia, música, áudio, comunicação e produção cultural.
Mobilização ganhou espaço também na imprensa
Além do circuito educacional, a edição teve divulgação em veículos de comunicação do Rio Grande do Norte.
A oficina foi apresentada pela Tribuna do Norte, incluindo divulgação na edição impressa de domingo, e também teve espaço na TV Metropolitana, onde a iniciativa foi apresentada durante uma participação de mais de 20 minutos transmitida simultaneamente pela televisão aberta e pela internet.
A presença nos veículos complementou o trabalho de mobilização feito diretamente nas instituições, ampliando o alcance das inscrições entre jovens interessados em audiovisual e comunicação.
Cultura popular abriu o primeiro dia de formação
A edição de agosto também incorporou atividades culturais à programação técnica.

No primeiro encontro, o artista popular Duda da Boneca participou da abertura, apresentou parte de sua trajetória e recitou um poema aos estudantes. A atividade integrou uma proposta de aproximar a formação tecnológica de outras expressões culturais produzidas no estado.
O fotógrafo Vlademir Alexandre participou do registro de making of e fotografia still da turma e também compartilhou parte de sua experiência profissional com os estudantes, ampliando a discussão sobre fotografia dentro do próprio conteúdo da formação.
Auxílio-transporte ajudou a ampliar a permanência
Outro diferencial da primeira turma de 2026 foi a oferta de auxílio financeiro para transporte aos participantes que necessitavam do benefício.

A medida foi possível por meio de parceria com o mandato do deputado federal Fernando Mineiro e teve como objetivo reduzir uma das barreiras enfrentadas principalmente por jovens estudantes da rede pública e moradores de bairros populares que precisavam se deslocar diariamente até o local da oficina.
A experiência apresentou resultado também na frequência. Ao longo dos cinco dias, a organização registrou presença contínua de aproximadamente 70% a 80% dos inscritos, com parte significativa dos participantes acompanhando praticamente toda a formação.

A partir dos primeiros dias, os estudantes já começaram a montar estruturas reais de produção. Passagem de cabos, configuração de internet, câmera, fotografia, áudio, iluminação, enquadramento e operação de sistemas de transmissão passaram da explicação teórica para a experimentação direta.
Três podcasts foram produzidos em uma única tarde
O principal resultado prático aconteceu no último dia.

Diferentemente de edições anteriores, em que a atividade final conseguia realizar no máximo dois programas, a turma de agosto de 2026 foi dividida em três grupos e produziu três podcasts completos em uma única tarde.
Os estudantes ficaram responsáveis não somente pela operação técnica.

Cada grupo precisou definir o tema, escolher quem apresentaria o programa, buscar os convidados, organizar a pauta e estruturar a entrevista. Ao mesmo tempo, os demais integrantes se distribuíram entre câmera, áudio, direção de corte, produção e acompanhamento da transmissão.
A atividade transformou a avaliação final em uma experiência próxima de uma produção profissional, desde a concepção do conteúdo até a execução.
Os três temas escolhidos também refletiram diretamente o perfil jovem da turma.
Skate abriu a programação
O primeiro podcast abordou o skate como esporte, lazer e manifestação da cultura juvenil.

O grupo buscou um convidado ligado à cena local e estruturou a conversa a partir da presença do skate na vida dos jovens, de sua relação com os espaços urbanos e das formas de convivência criadas em torno da modalidade.
A escolha permitiu que os próprios participantes relacionassem o aprendizado técnico da oficina a um assunto próximo de seu universo cotidiano.
Mais do que testar câmera e microfone, eles precisaram pensar no que perguntar, como conduzir a conversa e de que maneira organizar um programa capaz de apresentar aquele tema ao público.
Arte e cultura tiveram podcast inteiramente feminino
O segundo programa teve como tema arte e cultura e apresentou uma característica própria: todo o núcleo diante das câmeras foi formado por mulheres.
Uma jovem jornalista assumiu a apresentação e recebeu duas integrantes do Coletivo Massacre, também jovens e com atuação em diferentes frentes da produção artística e cultural.
A conversa reuniu, portanto, três mulheres discutindo suas experiências na cultura, incluindo atuação, produção e participação em iniciativas independentes.
A composição do programa também evidenciou a diversidade de trajetórias existente dentro da própria turma, permitindo que uma estudante com formação ou interesse em jornalismo ocupasse a posição de entrevistadora enquanto outros participantes assumiam as funções técnicas.
Moda urbana fechou a sequência
O terceiro podcast levou para o estúdio um tema menos habitual em atividades do tipo: moda urbana e produção independente.

Dois jovens convidados apresentaram uma marca alternativa construída prioritariamente no ambiente digital e relacionada à cultura jovem, à identidade local e a diferentes redes de sociabilidade.
A conversa também abordou como marcas independentes podem funcionar como pontos de encontro entre moda, cultura urbana, produção criativa e públicos jovens, incluindo grupos LGBTQIA+ que encontram nesses espaços formas de expressão e pertencimento.
A escolha reforçou uma característica que apareceu ao longo dos três programas: os assuntos não foram definidos previamente pela coordenação da oficina.
Eles partiram dos próprios alunos.
Resultado foi além da operação técnica
A produção dos três podcasts permitiu avaliar competências que não se limitavam ao conhecimento dos equipamentos.
Os estudantes precisaram trabalhar coletivamente, administrar horários, solucionar problemas, organizar convidados, definir funções e manter comunicação durante cada gravação.
Também tiveram que compreender que uma transmissão ao vivo depende de conteúdo.
Não basta operar uma câmera ou realizar cortes entre diferentes enquadramentos. É necessário saber o que será apresentado, para quem o conteúdo está sendo produzido e como aquela conversa será organizada.
Os três programas mostraram ainda como uma oficina técnica pode se relacionar diretamente com as referências culturais de seus participantes.
Skate, arte e cultura e moda urbana formaram uma programação definida pelos próprios jovens, que passaram do lugar de alunos para o de produtores de conteúdo.
A experiência fez com que a primeira turma exclusiva para jovens alcançasse um dos resultados mais amplos entre as edições já realizadas da Oficina de Transmissão ao Vivo: em cinco dias de formação, os participantes não apenas experimentaram equipamentos profissionais, mas encerraram o percurso com três conteúdos autorais concebidos, produzidos e executados por eles próprios.
Projeto cultural com realização de: Secretaria de Estado da Cultura do RN, Sistema Nacional de Cultura, Política Nacional Aldir Blanc de Apoio à Cultura e Ministério da Cultura.